Lombalgia

domingo, 25 de agosto de 2013


A lombalgia é uma das principais queixas do mundo moderno. Todo mundo já teve ou conhece alguém que tem dor nas costas: até 80% da população sofrerá dor lombar ao menos uma vez na vida, e isso causa um grande impacto tanto social quanto econômico. 

Ela é comumente definida como dor localizada abaixo da margem das últimas costelas (margem costal), e acima das linhas glúteas inferiores, ou seja, na famosa “região lombar”. Ela pode ser com ou sem dor nos membros inferiores, e pode causar comprometimento neurológico.

As causas de origem podem ser:
  • Mecânico-degenerativas; 
  • Não-mecânicas;
  • Inflamatórias; 
  • Infecciosas; 
  • Metabólicas; 
  • Neoplásicas; 
  • Secundárias à repercussão de doenças sistêmicas. 
Apesar de todos esses fatores de risco, vários pesquisadores a caracterizam como uma doença de pessoas que levam uma vida sedentária. A inatividade física estaria relacionada direta ou indiretamente com dores na coluna. 

Encontrar um único fator desencadeante da lombalgia é algo extremamente difícil de fazer. Há os fatores de risco individuais, como idade, sexo, IMC, ou desequilíbrio muscular, e os fatores profissionais, como as movimentações e posturas incorretas, ou mesmo postos de trabalho inadequados. Uma avaliação minuciosa dos fatores que envolvem a lombalgia é importante, pois servirá de guia para o tratamento. É preciso enfatizar que, de todas as pessoas que tenham um quadro agudo de lombalgia, grande parte passará a ter lombalgia crônica, inevitavelmente. Mas isso não significa que o sujeito viverá com dor para sempre. A melhor forma de lidar com a lombalgia é procurando um profissional e realizando o tratamento adequado. 

Os recursos terapêuticos mais utilizados atualmente são os medicamentos (anti-inflamatórios, corticosteroides, paracetamol, dipirona, tramadol, opioides, relaxantes musculares).  No entanto, o principal tratamento para as lombalgias é a fisioterapia. 

O fisioterapeuta pode utilizar uma gama de técnicas, como recursos termoeletroterapêuticos (ondas curtas, ultrassom, estimulação elétrica transcutânea, laser), manipulação vertebral, acupuntura, exercícios com bola, fortalecimento muscular, exercícios de estabilização segmentar, exercícios de flexão de Williams (método em que a coluna deve ser retificada, diminuindo a lordose lombar e fortalecendo glúteos e abdominais, enquanto alonga a cadeia muscular posterior) e exercícios de McKenzie (que prima por preservar a lordose lombar para harmonia da coluna). É preciso lembrar que os resultados obtidos variam de acordo com cada paciente, e para que o tratamento seja eficaz é necessário uma avaliação precisa dos fatores biopsicossociais. Assim, é possível traçar o caminho terapêutico mais adequado. 

Algumas dicas para ajudar a prevenir dores lombares:

  • Realizar atividade física regular (no mínimo, 3 vezes por semana);
  • Evitar permanecer na mesma posição por longos períodos de tempo (seja em pé ou sentado - principalmente sentado, pois nessa posição a sobrecarga na coluna é maior);
  • Cuidado ao erguer objetos pesados: não fazê-lo com a coluna em flexão, ou mesmo movimentos que envolva rotação e extensão da coluna combinadas;
  • Distribuir o peso em ambos os membros igualmente (ou o mais próximo de igualdade possível), para evitar a sobrecarga de um lado do corpo;
  • Ao levantar da cama: não realizar flexão do tronco para se levantar. Para proteger a coluna, o ideal é que se posicione de lado, e levante o corpo com a ajuda dos membros superiores. O processo inverso vale para quando se deitar.
  • Para dormir: a posição mais recomendada é em decúbito dorsal (com a barriga para cima), com um travesseiro embaixo dos joelhos, permitindo uma leve flexão. Outra posição que é bastante recomendada também é a posição de decúbito lateral (de lado), com um travesseiro entre os joelhos. Não se deve dormir em decúbito ventral (de bruços).




Referências:

SILVA, Marcelo Cozzensa da; FASSA, Anaclaudia Gastal  and  VALLE, Neiva Cristina Jorge.Dor lombar crônica em uma população adulta do Sul do Brasil: prevalência e fatores associados.Cad. Saúde Pública [online]. 2004, vol.20, n.2, pp. 377-385;
HELFENSTEIN JUNIOR, Milton; GOLDENFUM, Marco Aurélio  and  SIENA, César.Lombalgia ocupacional. Rev. Assoc. Med. Bras. [online]. 2010, vol.56, n.5, pp. 583-589.
TOSCANO, José Jean de Oliveira  and  EGYPTO, Evandro Pinheiro do.A influência do sedentarismo na prevalência de lombalgia. Rev Bras Med Esporte[online]. 2001, vol.7, n.4, pp. 132-137. 
LIZIER, Daniele Tatiane; PEREZ, Marcelo Vaz  and  SAKATA, Rioko Kimiko.Exercícios para tratamento de lombalgia inespecífica. Rev. Bras. Anestesiol. [online]. 2012, vol.62, n.6, pp. 842-846; 
LEMOS, Thiago Vilela; SOUZA, Jean Luis de; LUZ, Marcelo Marcos Medeiros. Métodos McKenzie vs. Williams: uma reflexão= McKenzie vs. Williams methods: a reflexion. Fisioterapia Brasil, Rio de Janeiro , v.4, n.1 , p.66-71, fev./2003.

10 comentários:

  1. muito informativo, é triste como muitas vezes somos obrigados a trabalhar em ambientes totalmente sem preparo nesse sentido, ainda mais quando se trabalha o dia inteiro sentado na frente de um computador...

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  2. Como meu caso de lombalgia provavelmente vem do sedentarismo, seria recomendado eu apenas começar a fazer algum exercício físico ou antes disso consultar um fisioterapeuta?

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    1. Carla,
      É importante a prática de exercícios, dentre outras coisas, para a prevenção das lombalgias. Mas uma vez que você apresente sintomas dolorosos, sugiro que procure um profissional para descobrir se o sedentarismo é mesmo a causa da sua lombalgia, ou se é causado por um outro fator.

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  3. muito interessante a reportagem, boas e completas informações e tirou todas as minhas dúvidas.

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  4. Ótimo Blog, as informações estão bem claras e está excelente para tirar dúvidas.
    Parabéns!

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  5. Para dor na coluna, melhor quiropraxia, rpg ou pilates?

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    1. Kelen;

      Todas as abordagens que você comentou são boas para a dor na coluna, porém elas funcionam de formas diferentes com objetivos diferentes. Por isso, é importante saber a origem da dor. Uma dor por desequilíbrio entre as cadeias musculares exige um tipo de abordagem diferente de uma dor de origem degenerativa, por exemplo. A ida a um profissional para realizar uma avaliação é importante para que seja possível traçar o tratamento mais adequado.

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  6. Parabens pelo excelente artigo e pela iniciativa do blog!

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  7. Ótimo texto! Para quem sofre com dores na coluna, como eu, com certeza tira muitas dúvidas e ajuda bastante!

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