LER (Lesão por Esforço Repetitivo), ou DORT (Distúrbios Osteomusculares
Relacionadas ao Trabalho), pode ser considerada um dos mais graves problemas no
campo da saúde do trabalhador. Ela é definida como uma síndrome caracterizada
pelo desconforto, incapacidade ou dor persistente em articulações, músculos,
tendões e outros tecidos moles dos membros superiores e inferiores, com ou sem
manifestações físicas ou clínicas. É uma doença incapacitante, e pode vir ou
não acompanhada de sofrimento psíquico.
Alguma
das doenças caracterizadas como LER/DORT são:
- Síndrome do Túnel do Carpo;
- Tenossinovite e Sinovite;
- Epicondilite medial (conhecida como cotovelo de golfista) e lateral (conhecida como cotovelo de tenista);
- Tendinite do supraespinhoso;
- Síndrome do manguito rotador;
- Tendinite biciptal.
Os
primeiros relatos sobre o sofrimento físico e mental pelo trabalho são datados
do século XVIII, em artesãos, escribas e notários. Atualmente, esse distúrbio é
visto em profissionais que atuam em escritórios, profissionais da saúde
(principalmente fisioterapeutas e odontólogos) e profissionais que atuam nos
setores de serviço. Estudos apontam que
é um distúrbio mais comum em mulheres, devido geralmente a natureza do trabalho
em que elas são alocadas, principalmente em postos onde há baixo controle sobre as tarefas, pequena margem de
decisão e autonomia, alta pressão por produtividade, longas jornadas de trabalho e períodos no
mesmo posto. Dessa forma, concentra-se
em categorias produtivas consideradas femininas como alimentação, confecção,
tecelagem e calçados.
É importante lembrar que a LER não é apenas uma
doença que acomete trabalhadores. Ela pode acometer qualquer pessoa que
permanece em determinada função diariamente por longos períodos de tempo e sem
intervalos, como aqueles que usam o computador para lazer (gamers e outros usuários),
ou quem pratica artesanato e outras atividades manuais.
A LER/DORT não é uma doença aguda. Seu quadro
sintomatológico progride, às vezes irregularmente, quando as condições de
trabalho ou os mecanismos de lesão não são alterados. Os principais sintomas
são dor no tendão a palpação e/ou com a realização do movimento, fraqueza
muscular, formigamento, incapacidade de fazer determinado movimento (pela dor
ou pela fraqueza da musculatura afetada).
A procura por um profissional especializado é
importante para que seja feito o diagnóstico correto. Esse diagnóstico é quase
sempre clínico, e envolve uma avaliação minuciosa para detectar a causa, que
pode ser por fatores diretos (lesão pela repetição do movimento) ou indiretos
(fatores psicológicos, sociais, ou posicionamento inadequado no ambiente de
trabalho que pode repercutir em outras áreas do corpo). Uma vez detectado a
fonte do distúrbio, o tratamento fisioterapêutico deve ser iniciado
imediatamente. Ele é essencial para a resolução do quadro clínico, bem como a
prevenção de novos episódios.
O tratamento varia de acordo com a fase da
doença. Nas fases mais agudas, é importante que se faça procedimentos anti-inflamatórios
(utilização de ultrassom terapêutico, crioterapia) e repouso das atividades que
envolvam o local afetado. Com o passar dessa fase, pode-se começar com
alongamentos na área afetada e áreas próximas, mobilização ativa e, com o fim
do quadro doloroso, exercícios de fortalecimento para a musculatura afetada.
Para que o tratamento tenha melhores resultados, é crucial que as recomendações
do fisioterapeuta sejam seguidas à risca, pois a volta precoce às atividades
pode reagudizar o quadro.
Algumas
dicas que podem ser seguidas para prevenir o surgimento da LER/DORT:
- Ao trabalhar sentado, manter a postura da coluna ereta, ombros em posição neutra, cotovelos a 90 graus em relação à mesa e punhos em posição neutra;
- Ainda para quem trabalha sentado: é importante que a cadeira esteja numa altura em que os quadris, joelhos e tornozelos estejam a 90 graus de flexão. Se essa posição for incompatível com a mesa de trabalho, pode-se utilizar um apoio sob os pés, para posicionar melhor os membros inferiores;
- Se trabalhar em funções “paradas”, automáticas e que exijam movimentos repetitivos, realizar pausas de 5 a 10 minutos para cada hora de trabalho;
- Durante as pausas, realizar alongamentos de 30 segundos para cada grupo muscular envolvido com o trabalho;
- Para quem usa computador: quando uma fonte de luz incide diretamente sobre a tela, o reflexo da luz pode dificultar a visualização, fazendo com que o usuário adquira posturas viciosas na tentativa de ver melhor. Evite essa situação.
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