LER/DORT

quinta-feira, 29 de agosto de 2013
LER (Lesão por Esforço Repetitivo), ou DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho), pode ser considerada um dos mais graves problemas no campo da saúde do trabalhador. Ela é definida como uma síndrome caracterizada pelo desconforto, incapacidade ou dor persistente em articulações, músculos, tendões e outros tecidos moles dos membros superiores e inferiores, com ou sem manifestações físicas ou clínicas. É uma doença incapacitante, e pode vir ou não acompanhada de sofrimento psíquico.
Alguma das doenças caracterizadas como LER/DORT são:
  •         Síndrome do Túnel do Carpo;
  •          Tenossinovite e Sinovite;
  •          Epicondilite medial (conhecida como cotovelo de golfista) e lateral (conhecida como cotovelo de tenista);
  •          Tendinite do supraespinhoso;
  •          Síndrome do manguito rotador;
  •          Tendinite biciptal.


Os primeiros relatos sobre o sofrimento físico e mental pelo trabalho são datados do século XVIII, em artesãos, escribas e notários. Atualmente, esse distúrbio é visto em profissionais que atuam em escritórios, profissionais da saúde (principalmente fisioterapeutas e odontólogos) e profissionais que atuam nos setores de serviço.  Estudos apontam que é um distúrbio mais comum em mulheres, devido geralmente a natureza do trabalho em que elas são alocadas, principalmente em postos onde há baixo controle sobre as tarefas, pequena margem de decisão e autonomia, alta pressão por produtividade, longas jornadas de trabalho e períodos no mesmo posto. Dessa forma, concentra-se em categorias produtivas consideradas femininas como alimentação, confecção, tecelagem e calçados.

É importante lembrar que a LER não é apenas uma doença que acomete trabalhadores. Ela pode acometer qualquer pessoa que permanece em determinada função diariamente por longos períodos de tempo e sem intervalos, como aqueles que usam o computador para lazer (gamers  e outros usuários), ou quem pratica artesanato e outras atividades manuais.

A LER/DORT não é uma doença aguda. Seu quadro sintomatológico progride, às vezes irregularmente, quando as condições de trabalho ou os mecanismos de lesão não são alterados. Os principais sintomas são dor no tendão a palpação e/ou com a realização do movimento, fraqueza muscular, formigamento, incapacidade de fazer determinado movimento (pela dor ou pela fraqueza da musculatura afetada).

A procura por um profissional especializado é importante para que seja feito o diagnóstico correto. Esse diagnóstico é quase sempre clínico, e envolve uma avaliação minuciosa para detectar a causa, que pode ser por fatores diretos (lesão pela repetição do movimento) ou indiretos (fatores psicológicos, sociais, ou posicionamento inadequado no ambiente de trabalho que pode repercutir em outras áreas do corpo). Uma vez detectado a fonte do distúrbio, o tratamento fisioterapêutico deve ser iniciado imediatamente. Ele é essencial para a resolução do quadro clínico, bem como a prevenção de novos episódios.

O tratamento varia de acordo com a fase da doença. Nas fases mais agudas, é importante que se faça procedimentos anti-inflamatórios (utilização de ultrassom terapêutico, crioterapia) e repouso das atividades que envolvam o local afetado. Com o passar dessa fase, pode-se começar com alongamentos na área afetada e áreas próximas, mobilização ativa e, com o fim do quadro doloroso, exercícios de fortalecimento para a musculatura afetada. Para que o tratamento tenha melhores resultados, é crucial que as recomendações do fisioterapeuta sejam seguidas à risca, pois a volta precoce às atividades pode reagudizar o quadro.

Algumas dicas que podem ser seguidas para prevenir o surgimento da LER/DORT:
  •  Ao trabalhar sentado, manter a postura da coluna ereta, ombros em posição neutra, cotovelos a 90 graus em relação à mesa e punhos em posição neutra;
  •  Ainda para quem trabalha sentado: é importante que a cadeira esteja numa altura em que os quadris, joelhos e tornozelos estejam a 90 graus de flexão. Se essa posição for incompatível com a mesa de trabalho, pode-se utilizar um apoio sob os pés, para posicionar melhor os membros inferiores;
  • Se trabalhar em funções “paradas”, automáticas e que exijam movimentos repetitivos, realizar pausas de 5 a 10 minutos para cada hora de trabalho;
  • Durante as pausas, realizar alongamentos de 30 segundos para cada grupo muscular envolvido com o trabalho;
  • Para quem usa computador: quando uma fonte de luz incide diretamente sobre a tela, o reflexo da luz pode dificultar a visualização, fazendo com que o usuário adquira posturas viciosas na tentativa de ver melhor. Evite essa situação.



Referências:

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NEVES, Ilidio Roda. LER: trabalho, exclusão, dor, sofrimento e relação de gênero. Um estudo com trabalhadoras atendidas num serviço público de saúde. Cad. Saúde Pública [online]. 2006, vol.22, n.6, pp. 1257-1265;
REIS, Ricardo J; PINHEIRO, Tarcísio MM; NAVARRO, Albert  and  MARTIN M, Miguel. Perfil da demanda atendida em ambulatório de doenças profissionais e a presença de lesões por esforços repetitivos. Rev. Saúde Pública [online]. 2000, vol.34, n.3, pp. 292-298;
HIAVEGATO FILHO, Luiz Gonzaga  and  PEREIRA JR., Alfredo. LER/DORT: multifatorialidade etiológica e modelos explicativos. Interface (Botucatu) [online]. 2004, vol.8, n.14, pp. 149-162;
MENDES, Luciane Frizo  and  LANCMAN, Selma. Reabilitação de pacientes com LER/DORT: contribuições da fisioterapia em grupo. Rev. bras. saúde ocup. [online]. 2010, vol.35, n.121, pp. 23-32;
FERREIRA, Vanessa Maria de Vargas; SHIMANO, Suraya Gomes Novais  and  FONSECA, Marisa de Cássia Registro. Fisioterapia na avaliação e prevenção de riscos ergonômicos em trabalhadores de um setor financeiro. Fisioter. Pesqui. [online]. 2009, vol.16, n.3, pp. 239-245.

3 comentários:

  1. Recomendo este profissional!

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  2. As dicas de prevenção podem também servir para fazer a dor "sumir", ou é sempre preciso ter um tratamento?

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    1. Raquel,
      Se a dor for um episódio isolado, essas dicas podem ajudar a acabar com o quadro doloroso. Elas podem servir pra prevenção e também para evitar a progressão dos sintomas. A dor pode até vir a "sumir", mas muitas vezes a doença já está instalada, e a falta de dor pode esconder uma lesão mais crônica. Então no caso de sentir dor, siga essas dicas, e sugiro que procure um profissional para avaliar se a dor foi um episódio pontual ou se é mesmo um quadro de LER/DORT.

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